segunda-feira, dezembro 04, 2006

OS PERIGOS DA REDE

Segundo o Guardian, muitas das páginas visadas pelo grupo “Anjos do Orkut” contêm mensagens de “auto-proclamados nazistas que descrevem ‘a Klu Klux Klan e Adolf Hitler’ como suas paixões ou comunidades denominadas ‘eu odeio negros’ ou ‘de volta com o linchamento'”.

A reportagem observa ainda que, segundo a Polícia Federal, a rede Orkut – que é parte do ‘império Google’ – tem sido usada para outros fins ilícitos que vão desde o tráfico de drogas à distribuição ilegal de imagens de pornografia infantil.

O líder do grupo, cujo condinome é Observer (observador, em inglês), justifica em declarações reproduzidas pelo Guardian sua criação, dizendo ter ficado chocado com a quantidade de páginas com pornografia infantil ao começar a navegar pelo Orkut. “Então eu tive a idéia de tentar colocar um fim nesse lixo”, disse ele.

O jornal comenta o fato de o Orkut ainda ser pouco conhecido na Europa, mas muito difundido no Brasil, onde estima-se que 40% dos 12,2 milhões de internautas utilizam a rede de relacionamentos. Cerca de 76% dos 3 milhões de membros registrados no Orkut se identificam como brasileiros.

O trabalho realizado pelos “Anjos do Orkut”, porém, não é uma unanimidade, segundo o jornal. Segundo o representante de uma organização de segurança na internet, o trabalho do grupo pode tornar o problema pior, em vez de melhorar a situação.
Isso porque as armas utilizadas pelo grupo seriam as mesmas usadas pelos criminosos da rede, como hacking (invasão de páginas da internet) ou phishing (envio de e-mails falsos que enganam seus destinatários).

Além disso, os especialistas dizem que ao apagar páginas ilegais os “justiceiros da rede” podem contribuir para a impunidade, por eliminar as provas necessárias em uma eventual investigação ou em um processo criminal.

BANDA LARGA



As empresas brasileiras estão próximas das suas concorrentes em países desenvolvidos no que diz respeito ao acesso à internet em banda larga.

Pelo menos 58% das empresas do país com mais de dez funcionários usam internet rápida, de acordo com dados de 2005 do Ministério da Ciência e da Tecnologia. Nos países desenvolvidos, esse índice é de 63%, segundo a Unctad (Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento).

O dado consta de um relatório divulgado nesta quinta-feira, que define o acesso à banda larga para empresas como tão vital quanto serviços como água e luz. "Com banda larga, você interage com o cliente de uma forma mais eficiente e mais rápida", afirma um dos autores do relatório, Angel Gonzalez Sanz, em entrevista à BBC Brasil.

De acordo com o relatório, a diferença no acesso à banda larga revela uma nova dimensão da chamada divisão digital existente entre países desenvolvidos e nações em desenvolvimento.
Sem restrição no tipo de acesso, o total de empresas conectadas à internet sobre para 96,26%, segundo dados do ministério.

Domicílios

Se as empresas brasileiras parecem estar praticamente em pé de igualdade com as do exterior, as estatísticas sobre domicílios deixam claro que a divisão digital também afeta o Brasil. Os dados gerais da Unctad, que incluem empresas e domicílios, indicam que a taxa de penetração da internet no Brasil era de apenas 19,5% em 2005 - embora a própria entidade cite dados do governo brasileiro que indicam que 24,4% da população tinha acesso à internet em casa ou no trabalho. "O problema número 1 na América Latina, e certamente no Brasil, é a desigualdade", afirma Sanz.

"Quando você observa os dados, percebe que a penetração da internet nas camadas sociais mais altas é equivalente aos países desenvolvidos", diz o especialista, acrescentando que a taxa cai drasticamente nas camadas mais pobres. Ainda assim, o país está relativamente bem colocado na comparação com outros países em desenvolvimento.

Segundo a Unctad, 80 de um grupo de 151 países em desenvolvimento nem tinham estatísticas sobre o acesso de empresas à internet em banda larga. Entre os 71 que forneceram os dados, 48 tinham taxas de penetração inferiores a 2,9%.

Comércio

A entidade diz ainda que o menor acesso à banda larga faz com que os países em desenvolvimento saiam perdendo, por exemplo, em comércio - que, nos países desenvolvidos, vem sendo feito cada vez mais via internet.

"Para se tornarem mais competitivos na economia mundial e estimularem o crescimento econômico, os países em desenvolvimento claramente precisam ter melhor acesso à banda larga", afirma a entidade, que estima que o acesso ao tipo mais rápido de conexão à rede possa gerar bilhões de dólares à economia de um país anualmente.

O relatório também associa o uso das tecnologias de informação, cujo benefício máximo seria obtido com o uso da banda larga, ao aumento de produtividade.

"Há um número cada vez maior de sinais em países desenvolvidos e em desenvolvimento de que a adoção de tecnologias de informação e comunicação (ICT, na sigla em inglês) por empresas ajuda a acelerar o crescimento da produtividade, que é essencial para sustentar a geração de renda e emprego", afirma a Unctad.

ICT é o nome dado a tecnologias usadas no processamento de informações, ou seja, para armazenar, converter e transmitir dados via computador.

Segundo a entidade, o uso dessas tecnologias é ainda mais útil em países em desenvolvimento, que poderiam melhorar a sua competitividade no mundo.

Para Angel Sanz, o Brasil está bem colocado em relação a outros países da América Latina, destacando-se no uso de serviços bancários on line, nos sites governamentais (e serviços oferecidos por eles) e em setores específicos como o automotivo - embora, neste caso, as transações se dêem mais entre fornecedores do que em vendas ao consumidor final.